Resenha: Wake - Despertar

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O  livro 1 da trilogia Wake é, no mínimo, intrigante. Eu o comprei por um impulso. A capa me chamou atenção ao primeiro olhar. Mas eu nunca levo um livro pela capa. Levo pela sinopse. E a de Wake é aquela sinopse que me fez pensar: tenho que ler este livro. E garanto, não me arrependi de meu ato impulsivo de comprá-lo.
A personagem principal, Janie, tem 17 anos e, para ela, é normal ser sugada para os sonhos de outras pessoas. Até que um desses sonhos começa a se tornar recorrente, sendo, na verdade, um pesadelo que envolve alguém que ela muito estima.
O livro é narrado no presente. Sim. No instante presente, embora tenha as datas de 2005 (as ações geralmente possuem data e hora), elas são narradas como se estivessem acontecendo neste segundo. Fato curioso, eu nunca havia lido um livro assim (existem poucos no mercado). Não vou dizer que virei fã do estilo, mas não chegou a ser um fato que me desagradou, como vi em críticas deste mesmo livro.
Os personagens são bem construídos. Janie possui como melhor amiga, Carrie, que possui um passado triste, que Janie desvenda a partir de seus sonhos. Confesso que fiquei surpresa e emocionada com essas passagens. A amizade delas é uma típica relação adolescente bem explorada. A mãe de Janie, por outro lado, é jogada pra escanteio o livro todo, pena. Por ser uma alcoólatra que não liga para a existência da filha (e por ser o único membro da família da protagonista que é apresentado na história), creio que essa relação poderia ter sido mais bem explorada.
Tirando a própria Janie, que é particularmente interessante, sem traços óbvios de protagonista construída para agradar ao leitor, mas sim como uma personagem cheia de erros e dúvidas e que está em busca de sua identidade, o seu par romântico na história é bem convincente. A história de amor deles é um tanto fofa, mas nada de romantismos exagerados. É um relacionamento normal de adolescentes do Ensino Médio, exceto pelo fato de que Janie é sugada para dentro dos sonhos dele, Cabel.
A premissa da história sobre a “apanhadora de sonhos” é ótima, bem diferente do que eu esperava, mas nada decepcionante. Chegou a surpreender-me em alguns pontos. Os grandes momentos foram quando descobrimos que a senhora Stubin (uma das moradas do asilo onde Janie trabalha) também apanha sonhos, e quando ela “ensina” (no sonho de uma terceira pessoa) como Janie deve utilizar esse “dom” para ajudar os outros. Quando alguém pede ajuda diretamente a ela nos sonhos, ela passa a ser capaz de ajudá-los a mudar o final dos mesmos. Esse fato foi pouco explorado também, mas as poucas cenas envolvidas com esse novo aprendizado de Janie, encontrando um propósito para seu “dom”, garantem boas emoções.
Na parte final da história nos vemos envolvidas em questões policias. Sim, Janie pode não só ajudar aqueles que estão dormindo, como pode ajudar aqueles que estão acordados, buscando por respostas. Ela pode entrar na mente de criminosos e ajudar a polícia a desvendar crimes – e aí temos um final satisfatório e com um gancho imenso para o segundo livro da trilogia que, aparentemente focará a relação de Janie com sua “mentora”, a senhora Stubin, e casos policias (eu não li o segundo livro, Fade, mas essas duas pontas ficam soltas no primeiro volume). O livro possui romance em doses satisfatórias, amizade, sonhos estranhos, pesadelos, um pouco de suspense e terror em alguns raros momentos, e, acima de tudo, uma narrativa que prende. Você não encontrará resposta alguma neste primeiro volume, quanto ao motivo de Janie entrar nos sonhos alheios, mas com certeza terá vontade de ler o próximo, Fade – Desvanecer.
A versão brasileira é interessante. A narrativa original, por ser no presente, é diferente, portanto, a tradução segue o estilo excêntrico da autora. A capa é muito bonita (a mais bonita da trilogia) e a diagramação favorece a leitura rápida. Muito rápida. O livro é curto, com letras grandes e linhas espaçadas. É aquela leitura que você faz rapidamente e já quer pegar o segundo livro. A fonte é diferente para os momentos em que Janie está acordada ou dormindo (antes de ler, eu pensava que seria um mistério quando seria realidade ou sonho, mas isso não acontece; os sonhos são bem demarcados pela história e pela fonte de digitação).
Agora, o ponto mais falho, que certamente poderíamos ficar sem: quando a história termina, com um fim bem interessante e até surpreendente, a autora resolve colocar a narrativa na visão de Cabel, mostrando como ele enxerga Janie. E assim, ela volta em algumas passagens da história que nos lembramos claramente, mudando a perspectiva de tais cenas. Esse tipo de tática geralmente é controverso – alguns amam, outros odeiam – em Wake não funciona. Não vemos nenhuma novidade ou fato empolgante (exceto por um novo pesadelo de Cabel), apenas nos sentimos relendo cenas, e, portanto, uma história que termina de forma empolgante, merece ter suas últimas páginas descritas com uma palavra: tédio. Se eu soubesse, teria lido até a página em que a história realmente acaba, e teria dispensado a “visão” de Cabel.
Mesmo assim, a versão também traz as duas primeiras páginas da continuação, Fade, que parece fantástica, fazendo alusão a personagens do primeiro livro de forma interessante. Fade, aparentemente, começa “com tudo”!

Trecho de Wake: "Uma segunda Janie caminha até Cabel, sem medo algum. Janie permanece lá atrás, encostada no celeiro. Cabel toca no rosto da segunda Janie. Inclina-se para a frente. Beija-a. O beijo é correspondido. Ele para de abraçá-la e olha para a Janie que está encostada no celeiro. Lágrimas escorrem pelas bochechas dele. - Ajude-me - ele pede." (Pág. 63)

Informações gerais:
Título: Wake - Despertar
Autora: Lisa McMann
Gênero: Romance
Páginas: 208
Editora: Novo Século


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10 comentários:

Paul Law disse...

Uma resenha bem completa, Fabiane. Achei que só o fato da protagonista ter o dom de adentrar nos sonhos alheis, algo muito inovador. A criatividade da autora é considerável.

Deu vontade de ler.

Um abraço e sucesso.

Fabiane Ribeiro disse...

Oi Paul, obrigada!
Foi um livro diferente e gostoso de ler... a criatividade é oq chama atenção mesmo, desde a sinopse... quero o segundo agora, rs...

bjos!!

J.F Silva disse...

Não é um livro que faz meu tipo e graças a Deus nem comprei kkk se não ia ficar zangada! Não curti a história mas amei sua resenha sincera! Parabéns Fabi!

Fabiane Ribeiro disse...

Obrigada Ju. Olha, conhecendo beem seu estilo, como conheço, eu acho que vc iria gostar muito do Cabel, hehe... mas da história provavelmente não mesmo... bjo, querida!

Ludmila disse...

Fabiane,
Ótima resenha!
Eu tenho muita vontade de ler Wake, desde que li a sinopse. Fiquei bem curiosa sobre a história.
Meu afilhado também se interessou em lê-lo e comprou, eu acabei dando o segundo "Fade" e assim vou ler os dois.
Estou com planos de dar o terceiro e último de presente para ele e assim completar a trilogia.
Parabéns pela resenha. Esta sensacional e me deu vontade de pegar o livro e começar a ler JÁ! rsrs
Beijos

Mari B. disse...

Quero muito muito ler esse livro, e sua resenha me convenceu.
Muito boa, apesar de esse estilo de narração no tempo presente não me agradar muito...
Beijos!

C. Canuto disse...

Eu já tinha vontade de ler esse livro só pela sinopse que tem no mesmo. E depois dessa crítica, a vontade aumentou.
Parabéns!

Fabiane Ribeiro disse...

Oi meninas!
Que bom que gostaram da resenha e que ficaram com vontade de ler o livro. Com certeza vale a pena!

Grande beijo!

Juliana Miriane disse...

"O livro é curto, com letras grandes e linhas espaçadas. É aquela leitura que você faz rapidamente e já quer pegar o segundo livro."

true story!! terminei o primeiro e ja fui na casa da minha amiga correndo emprestar o segundo heuehue aí ela disse: já leva o terceiro tbm!
Mt bom realmente, mas é um livro assim, ame ou deixe. Tem mts pessoas q ñ curtiram esse lance de sonhos :3
eu gostei mt, aprovadissimo!

Fabiane Ribeiro disse...

Hhahah, verdade, Ju, que bom que concordou!
Dizem que as continuações são ainda melhores que o primeiro, depois me conte o que achou!!
Eu gostei bastante da ideia dos sonhos tbm!!

Um beijo!

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